Módulo 9 – Técnicas de narração

 

 

AS TÉCNICAS DA NARRAÇÃO

O que é a Narração?

A Narração tem por objectivo contar uma história real,  fictícia,  dados reais e imaginários. Baseia-se numa evolução de acontecimentos, mesmo que não mantenham relação de linearidade com o tempo real. Sendo assim, está pautada em verbos de ação e conectores temporais.

A narrativa pode estar em 1ª ou 3ª pessoa, dependendo do papel que o narrador assuma em relação à história. Numa narrativa em 1ª pessoa, o narrador participa activamente dos factos narrados, mesmo que não seja a personagem principal. Já a narrativa em 3ª pessoa traz o narrador como um observador dos factos que pode até mesmo apresentar pensamentos de personagens do texto .

O bom autor toma partido das duas opções de posicionamento para o narrador, a fim de criar uma história mais ou menor parcial, comprometida.

Existe a narração objectiva e narração sujectiva:

  • objectiva- apenas informa os factos, sem se deixar envolver emocionalmente com o que está noticiado. É de marca impessoal e directo;
  • subjectiva – leva-se em conta as emoções, os sentimentos envolvidos na história. São ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nas personagens.

Narração na televisão

A narrativa televisiva tem evoluindo de uma forma espantosa, os produtores de televisão fazem uma longa extensão de uma narrativa cinematográfica, o típico programa de televisão, seja de ficção ou de não-ficção em segmentos.

A narrativa move-se suavemente de um grupo de pessoas para outro a cada poucos minutos, ao contrário, o telejornal, não é uma história que dure muito tempo.

Ao contrário de um filme, um programa de televisão pode-se ver facilmente em quase qualquer ponto.

A televisão não é uma narrativa que exige plateia a reflectir profundamente sobre qualquer coisa que passa.

Uma narrativa televisiva é destinada a ser fácil de ver.

Narração no cinema

A narração é importante no estudo do discurso do cinema na narrativa, pois esta chama a atenção para si mesmo, e tem uma presença marcante no filme. É o discurso que aparentemente é dirigida a nós e está em seu próprio, e não está dirigido a alguém dentro do filme, assim sendo a narração é uma posição dominante, falando em um filme, e isso pode reflectir na posição num filme.

Apesar de a narração em primeira pessoa pode aparecer superficialmente semelhantes, há diferenças significativas entre os dois;

A narração não precisa ser efectuada apenas por um personagem da história, mas também por uma pessoa ou voz desencartada que não é um personagem da história.

Na construção de uma narrativa cinematográfica tem que obedecer a diversos critérios assim como um projecto arquitectónico. Quando há uma construção de uma narrativa que se pode considerar simples e outra que se desenha como complexa.

Existem dois tipos de estruturas:

  • Simplicidade: Linear, binária e circular;
  • Complexidade: inserção, fragmentada e polifónica.

Interpretação

A interpretação é uma acção que consiste em estabelecer, juntamente ou sucessivamente, numa comunicação verbal ou não verbal entre duas entidades que não usem o mesmo código.

É um termo ambíguo, tanto podendo referir-se ao processo quanto ao seu resultado, por exemplo:

Tanto ao conjunto de processos mentais que ocorrem num leitor quando interpreta um texto, quanto aos comentários que este poderá tecer depois de ter lido o texto, varia de pessoa para pessoa.

Na interpretação existe o intérprete que é aquela pessoa que interpreta, isto é, que estabelece, juntamente ou sucessivamente, comunicação verbal entre duas ou mais pessoas que não falam a mesma língua.

Existe duas interpretações, que são:

  • Consecutiva: é um dos modos de interpretação que divide o diálogo de uma pessoa em partes de vários segundos ou minutos e depois é traduzida consecutivamente;
  • Simultânea: é um tipo de interpretação em que um discurso, apresentação, palestra, treinamento ou qualquer outra forma de comunicação verbal é traduzida para outro idioma simultaneamente.

Estruturas da narrativa

A narratologia é o estudo das narrativas de ficção e não ficção, por meio de estruturas e elementos.

É característica marcante da narratologia a busca por paradigmas, estruturas e repetições entre as diferentes obras analisadas, apesar de considerar os diferentes contextos históricos e culturais em que foram produzidas. Como tem por objecto de análise narrativas geralmente verbalizadas, narratologia é uma ciência “aparentada” com outra área de estudos estruturalista: a análise do discurso.

 

Modo narrativo

  • Épico – narrado por meio da sequência de eventos;
  • Lírico – narrado por meio da linguagem verbal em harmonia com a música ou a musicalidade das palavras;
  • Dramático – narrado por meio da representação/interpretação;
  • Clímax - o ponto de mais alto drama ou tensão da história, a partir do qual a trama se desfaz e se encaminha à resolução; pode incluir uma catarse;
  • Premissaé uma espécie de conclusão da história;
  • Desmedidaacção que se prova equivocada e desata a peripécia;
  • Peripécia - mudança do destino do personagem;
  • Reviravoltaesta acontece quando o destino de uma personagem sofre uma mudança de 360 graus, isto é não conta que aquele personagem termina assim.

Estrutura da Narrativa na TELEVISÃO

A estrutura narrativa na televisão permite-nos entender a ideia e a mensagem e situações que ocorrem durante a história, esta não é baseado um torno da semiótica, os modelos narrativos da televisão baseiam-se numa teoria estruturalismo. Na televisão, existem diferentes géneros e textos que permitem distinguir a narrativa.

Para manter o interesse, as narrativas de televisão multiplicam os seus enredos e personagens, enredos e proliferando existentes narrativa. A televisão, em todas as suas formas, prevê uma actualização contínua de um estado. Isso alimenta a ilusão de televisão de vivacidade, de imediatismo e do discurso.

Estrutura da Narrativa na RÁDIO

A rádio é como um meio-cego, e o narrador é como se fosse um cão-guia da plateia, este transporta a acção que prevê a exposição. Há muitas maneiras de lidar com a narração.

Existem vários tipos de narradores na rádio, como:

  • Narrador Tradicional – (este é como fosse um narrador omnisciente);

  • Narrador Omnipresente;

  • Narrador na primeira pessoa.

Na rádio existem:

  • Emissor:este é quem produz, quem cria, quem emite a mensagem, é o responsável pela mensagem;
  • Receptor:este é o destinatário da mensagem, é quem recebe e interpreta a mensagem;
  • Mensagem: nesta é o emissor que transmite ao receptor;
  • Informação;
  • Retorno (Feedback);

 

Enredo

O conceito de enredo, dentro de um texto narrativo, é o conteúdo do qual esse texto se constrói. O enredo, também chamado de trama, tem sempre um núcleo, que chamamos de conflito. É esse conflito que determina o nível de tensão aplicado na narrativa. É no enredo que se desenrolam os acontecimentos que formam o texto. Além disso o enredo está directamente ligado às personagens, já que é a respeito delas a história que se conta. Um depende do outro.

O enredo não é composto apenas do género narrativo, o que ocorre é uma predominância deste, mas dentro dele os autores costumam incluir trechos descritivos e dissertativos.

Sendo a narrativa um conflito, temos alguns tipos de estrutura normalmente adoptados pelos autores para a organização e melhor compreensão do texto, a mais conhecida e utilizada delas é aquela em que se inicia pela exposição da situação, citando personagens, tempo e espaço.

O enredo pode ser organizado de várias formas, que estas são:

  • Situação inicial: os personagens e espaço são apresentados;

  • Quebra da situação inicial: um acontecimento modifica a situação apresentada;
  • Estabelecimento de um conflito: Surge uma situação a ser resolvida, que quebra a estabilidade de personagens e acontecimentos;
  • Clímax: ponto de maior tensão na narrativa;

  • Epílogo:solução do conflito.

Narrador

O narrador é uma entidade fictícia a quem cabe o papel de contar a acção. É o sujeito de enunciação que apresenta a diegese, contando-a sob o seu ponto de vista. Não se identifica com o autor, embora a sua voz se possa misturar com a dele. O autor é o ser real que constrói a narrativa, enquanto o narrador é um ser da própria ficção. O narrador pode estar na primeira pessoa, participando directa ou indirectamente na acção.

A posição do narrador é objectiva, quando se limita a contar os acontecimentos sem deixar que os seus sentimentos ou emoções transpareçam no seu decurso; é subjectiva se, na apresentação dos factos, há, claramente, uma posição emocional e sentimental do narrador.

Existem vários tipos de narrador:

  • Omnisciente: um narrador que tudo sabe e tudo vê. Normalmente usado na literatura pela facilidade de narrar os sentimentos e pensamentos das personagens. Conta a história em 3ª pessoa, ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas emoções e pensamentos.

  • Observador: Também chamado de narrador-câmara ou narrador testemunha. Limita-se a contar uma história sem entrar no “cérebro” ou “coração” das personagens. Conta a história do lado de fora, na 3ª pessoa, sem participar das acções.

  • Personagem:um narrador-personagem que tudo sabe a seu respeito, mas não em relação às personagens que o cercam nem pode ver o contexto com tanta clareza. Pode narrar uma história em que é protagonista ou não. Conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem. Sua maneira de contar é fortemente marcada por características subjectivas, emocionais.

Participação do narrador:

  • Heterodiegético: o narrador não é personagem da história;
  • Homodiegético: o narrador é personagem, mas não protagonista;

  • Autodiegético: aplica-se esta designação ao narrador da história que a relata como sendo seu protagonista, quase sempre no decurso de narrativas de carácter autobiográfico.

Focalização do narrador:

A focalização é a perspectiva adoptada pelo narrador em relação ao universo narrado. Diz respeito ao modo como o narrador vê os factos da história.

  • Focalização omnisciente: colocado numa posição de transcendência, o narrador mostra conhecer toda a história, manipula o tempo, devassa o interior das personagens;
  • Focalização interna: o narrador adopta o ponto de vista de uma ou mais personagens, daí resultando uma diminuição de conhecimento;
  • Focalização externa: o conhecimento do narrador limita-se ao que é observável do exterior;
  • Focalização neutra: O narrador não expõe seu ponto de vista.

Guião

O guião é a forma escrita de qualquer espectáculo audiovisual, escrito por um ou vários profissionais que são chamados de argumentistas ou guionistas.

O guião é um documento narrativo utilizado como directriz para espectáculos de cinema ou programas televisivos.

O guião no CINEMA

No cinema o guião é a base do filme, a parte prima que nasce antes de toda a obra. De acordo com Syd Field, um guionista e consultor de Hollywood, um bom guião apresenta três partes essenciais que precisam estar bem desenvolvidas: personagem, estrutura e enredo, sendo este dividido da seguinte forma:

  • Parte 1: seria esta a introdução do filme;
  • Parte 2: desenvolvimento do filme;
  • Parte 3: por último se define o filme, o desfecho da história.

Um guião de cinema pode ser definido como uma tentativa sistemática e ordenada para prever o futuro filme. É uma previsão que na prática se concretiza em um manuscrito contendo a descrição, cena por cena, enquadramento por enquadramento e das soluções de todos os problemas técnicos e artísticos que se prevê para a realização do filme.

O argumento documental e de ficção

O guião é elaborado através de diferentes fases. Acontece por vezes que alguma destas fases seja anulada; outras vezes, pode suceder também que se façam várias tentativas em apenas uma delas.

Para cada uma das fases, faz-se arbitrariamente menção a um certo número de páginas, claro que estes números devem ser apenas tomados como orientação e não como regra geral.

A adaptação literária


Trata-se de uma exposição mais vasta do tema, semelhante à forma de um conto. Quando for necessário o diálogo para que progrida o entrecho ou para dar a conhecer facetas de uma determinada personagem, o texto é mencionado entre aspas, como na literatura, e não se separa, como acontece na peça de teatro ou no guião cinematográfico.

Transposição da literatura para a linguagem audiovisual.

  • Quanto aos aspectos estéticos, há muitas diferenças entre a linguagem escrita e a linguagem audiovisual, na linguagem audiovisual toda a informação deve ser visível ou audível.

A sinopse

Trata-se de um breve resumo do assunto, alguns autores têm alguma dificuldade em tentar resumir aquilo que não foi escrito na sua totalidade. Quando se trata de um guião adaptado de um romance ou de uma obra teatral, esta sinopse desempenha uma tarefa útil para o realizador, pois especifica uma linha selectiva da continuidade.

O guião por cenas

Consiste basicamente em converter a sequência dialogada em algo bastante semelhante ao plano geral. As cenas principais são unidades de acção autónomas, um pouco como nas cenas de Shakespeare, mas, quanto à duração, esta poderá abranger um par de segundos, 10 minutos, ou ainda mais. Nesta fase, ainda não se dividem as cenas em grandes planos, planos longos, etc.

O guião por cenas pode servir inicialmente como documento de trabalho para as fases iniciais de casting, concepção de produção, calendarização (desde que não tenha sido imposta previamente), e na orçamentação.

CENA 11 – EXTERNA – CASA DO CHARLIE – DIA

Bella

sai

para

encontrar

Charlie

cumprimentando

 

o motorista, JACOB BLACK, 16 anos, índio Quiluette, meigo com seu longo cabelo preto, e leves toques de seu infantil rosto de forma arredondada. Os dois ajudam o pai de Jacob, BILLY BLACK (das fotos), numa cadeira de rodas.

CHARLIE

Bella, você lembra de Billy Black.

 

BILLY

Feliz de ver você finalmente aqui.

Charlie não parou de falar nisso desde que

você falou que viria.

 

CHARLIE

Continue exagerando, e eu empurro

você ladeira abaixo.

BILLY

Depois que bater em seus tornozelos.

 

Billy se aproxima de Charlie, que se esquiva. Jacob balança a cabeça para os dois pais enquanto ele timidamente se próxima de Bella.

A planificação

A planificação dependerá exclusivamente do método de trabalho do realizador. É provável que alguns comecem por dividir cada cena em todos os planos concebíveis e cheguem assim à primeira tentativa do plano de montagem.

Outros dedicam-se a refinar e aperfeiçoar o guião por cenas ou sequências, sem o dividir em planos.

O guião técnico na Rádio, Tv, no Cinema e na Internet

O guião técnico aparece, devido a pressões externas ou a novas «inspirações» da parte dos realizadores, pode haver várias versões finais. Mesmo quando já se iniciou a filmagem, muitas vezes ainda se fazem modificações.

Uma medida habitual consiste em tomar nota num papel de cor diferente das novas correcções que vão sendo feitas, o que conduz frequentemente a que os guiões se assemelhem a um arco-íris uma vez terminada a filmagem.

Televisão e no Cinema

A primeira e mais evidente diferença é que na linguagem audiovisual toda a informação deve ser visível ou audível. O cinema, como a música, é uma forma de expressão em que o tempo de apreensão das informações é definido exclusivamente pelo autor. Cada um de nós estabelece o próprio ritmo de leitura. Cada um de nós passa o tempo que quiser observando um quadro. A ordem em que as informações são liberadas no cinema ou na literatura são inteiramente diferentes.

Na rádio

Existe desde o princípio uma preocupação especial, mas não exclusiva, com os temas ligados à rádio. Provavelmente por uma questão profissional e afectiva, mas também porque a rádio não tem merecido (nomeadamente em Portugal) uma discussão proporcional ao seu impacto na opinião pública. O blogue pode alojar outras ferramentas que o servidor permita, como arquivos, mas também textos suplementares ou formas de melhorar/aproximar as relações com os leitores.

Na internet

As redes são essenciais para ambientes com múltiplos computadores para que seja possível compartilhar recursos, controlar e distribuir acesso há informações e à Internet, viabilizando um mundo de facilidades que não existiriam sem elas, seja com ou sem fio.

O Guia Técnico de Redes de Computadores introduzirá o leitor nos conhecimentos profissionais necessários para quem deseja trabalhar com redes de computadores ou montar sua própria rede, e seu conteúdo inclui:
- Como montar cabos de rede;
- Como compartilhar uma mesma conexão de Internet entre vários computadores;
- Como configurar uma rede com múltiplas estações de trabalho e servidores;
- Como utilizar os principais recursos de rede do Windows Vista;
- Como fazer uso das principais ferramentas do novo Windows Server 2008.


 

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